
Nessas horas de escuridão, o corpo se sente cansado. Cansado de lutar, de tentar viver, de tentar sair do breu. Nas horas escuras o tempo passa tão devagar que é possível se contar grão a grão da areia que cai na ampulheta do tempo.
E você diz então: "Saia daí, se levante!" Mas a porta de saída está escondida dentre a névoa escura. E eu me impressiono como essa escuridão, que é conhecida, familiar, acha que pode e deve ficar. Acha que aqui dentro é o seu lugar! E o corpo, todo o corpo, fica assim... exausto!
Eu me sinto como aluno, louco para ouvir soar o sinal do recreio. É assim que espero a invasão da luz.Porque quando a luz chega... ah! A vontade volta, vontade de levantar, vontade de viver. A energia recomeça a brotar. A luz faz o olho enxergar a cor. Sim... a luz me faz ver o caminho de novo, que agora está encoberto.
Então aqui estou presa nessa escuridão, esperneio como um bebê, mas de tempos em tempo canso e páro... ofegante! Continuo a tatear, ainda em vão, procurando a maçaneta da porta que permitirá essa luz libertadora entrar.
Lutando, prossigo... caminhando... passo após passo... e espero... porque sei que esse breu passará e o tempo iluminado então ficará.